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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

FARMACODINÂMICA

Farmacodinâmica: Mecanismo de ação de Fármacos


A farmacodinâmica pode ser definida como o estudo dos efeitos bioquímicos e fisiológicos dos fármacos e de seus mecanismos de ação. Assim seu estudo demonstra os efeitos: terapêuticos (esperado), adversos (potencial tóxico), nos tecidos atingidos e nos sistemas metabólicos.
Paul Ehrlich, no início do século passado, sugeriu que para uma substância apresentar efeito farmacológico, ela deveria ser capaz de encontrar um local de ligação, um componente celular, que interagiria com a droga e daria início à cadeia de eventos que levam aos efeitos observados; afirmando ainda que a droga não funcionaria caso não estivesse ligada.  Sua ação decorreria de interações químicas, derrubando, assim, a idéia que atuariam “forças vitais” mágicas. Seria a primeira idéia de receptor farmacológico. Contudo o conceito proposto por Ehrlich não se aplica a todas drogas, como diuréticos e laxantes, que atuam sem estar ligados a qualquer constituinte tecidual. As ligações ocorrem por interações químicas que podem ser de todos tipos conhecidos – iônicas, ligações de hidrogênio, hidrofóbicas, van der Waals e covalente. Quanto maior o número de ligações que um fármaco é capaz de realizar, mais seletivo será; quanto menor mais promíscuo, apresentará uma menor especificidade.
O termo receptor se refere ao componente macromolecular funcional do organismo com o qual os agentes químicos interagiriam. Esses agentes não criam funções do órgão ou do sistema sobre o qual atuam, apenas modificam funções preexistentes. As proteínas são o maior grupo e mais importantes receptores de fármacos; outras macromoléculas como os ácidos nucléicos devido às propriedades específicas de ligação também são importantes.
Os receptores farmacológicos protéicos podem ser separados como: Receptor - que possui atuação fisiológica, atua como receptor de reguladores endógenos como neurotransmissores e hormônios. Os fármacos que se ligam aos receptores fisiológicos, promovem modificação no receptor que pode ativar ou inibir uma via de sinalização são chamados agonistas. Já aqueles fármacos que ligam aos receptores e não modificam vias, não desencadeiam respostas, apenas impedem que o agonista exerça sua função são denominados antagonistas. São classificados com base nos efeitos de drogas particulares, como os receptores para adrenalina (adrenérgicos), que pode responder de forma diferente dependo do tecido ou via de ativação sendo divididos em sub tipos como a e b. Canais iônicos – os fármacos que têm sitio de ligação nessas proteínas e que bloqueiam a permeabilidade de íons são denominados bloqueadores; aqueles que aumentam a probabilidade do aumento ou diminuição da abertura dos canais, ajuste fino, são ditos moduladores. Enzimas – fármacos que visam essas macromoléculas são classificados como inibidor, se ligarem à enzima (não necessariamente no sitio de ligação do substrato), impedindo a interação do substrato normal. Adquirem o nome de substrato falso caso a interação resultante com a enzima seja um metabólito anormal produzido e pró-droga quando a droga ativa é o resultante. Transportadores – fármacos que se ligam ao carreador impedindo o transporte do substrato normal intitulam-se inibidores e falso substrato quando a interação promove o transporte do fármaco no lugar do substrato normal e assim o acúmulo de composto não natural.
Além das que se ligam as proteínas plasmáticas ou constituintes celulares, sem produzir efeito fisiológico evidente. Outros tipos de proteínas atuam como alvo para drogas, como a colchicina que se liga à proteína estrutural: tubulina.   
Fármacos que atuam em receptores que são ácidos nucléicos são muito lipossolúveis, se ligam ao RNA ou DNA. Ao ligar a uma porção do DNA podem, induzir a alteração da transcrição.
Uma droga terapêutica deve atuar seletivamente sobre determinadas células e tecidos, ou seja, apresentar alta especificidade de sitio de ligação. As proteínas funcionam como alvos devem ter grande grau de especificidade de ligante, reconhecendo um tipo preciso e rejeitando moléculas estreitamente relacionadas. No entanto, a especificidade de um fármaco é relativa, pois quando se aumenta demasiadamente sua concentração, ele passa a atuar em outros receptores que antes não agiria se estivesse em concentração terapêutica, interferindo em vias terapeuticamente não visadas; constituindo efeitos indesejáveis também chamados de efeitos colaterais. Assim quanto maior a especificidade menor o número de efeitos colaterais.
           É importante para os mecanismos de ação conceito de eficácia e potência. A eficácia está relacionada ao fato de um fármaco conseguir ou não desempenhar uma resposta máxima, independente de sua concentração.Um fármaco muito eficaz é capaz de ativar os receptores com uma força muito grande. Já a potência refere-se a quantidade necessária para desencadear a resposta máxima possível para o fármaco.

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